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	<title>fact checking &#8211; Pensar Nutrição</title>
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		<title>Fact-checking – “Vegetarianos podem ter menos doenças cardíacas, mas maior risco de AVC”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nuno Borges]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Sep 2019 09:31:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fact-Checking]]></category>
		<category><![CDATA[fact checking]]></category>
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					<description><![CDATA[Nota: Esta an&#225;lise pode aplicar-se &#224; generalidade das not&#237;cias sobre o estudo em quest&#227;o, que foram publicadas nos diversos &#243;rg&#227;os de comunica&#231;&#227;o social e n&#227;o somente &#224; not&#237;cia publicada na Revista Vis&#227;o que aqui se apresenta a t&#237;tulo de exemplo:... <div class="read-more-wrapper"><a class="button button-primary" href="https://pensarnutricao.pt/fact-checking-doencas-cardiacas-risco-avc/">Ler mais</a></div>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://pensarnutricao.pt/wp-content/uploads/2019/09/fact-checking-vegetarianos-pensar-nutricao-1-1024x576.webp" alt="Fact-checking – “Vegetarianos podem ter menos doenças cardíacas, mas maior risco de AVC” 1" class="wp-image-2243" title="Fact-checking – “Vegetarianos podem ter menos doenças cardíacas, mas maior risco de AVC” 1" srcset="https://pensarnutricao.pt/wp-content/uploads/2019/09/fact-checking-vegetarianos-pensar-nutricao-1-1024x576.webp 1024w, https://pensarnutricao.pt/wp-content/uploads/2019/09/fact-checking-vegetarianos-pensar-nutricao-1-300x169.webp 300w, https://pensarnutricao.pt/wp-content/uploads/2019/09/fact-checking-vegetarianos-pensar-nutricao-1-768x432.webp 768w, https://pensarnutricao.pt/wp-content/uploads/2019/09/fact-checking-vegetarianos-pensar-nutricao-1-180x100.webp 180w, https://pensarnutricao.pt/wp-content/uploads/2019/09/fact-checking-vegetarianos-pensar-nutricao-1.webp 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nota:</strong> Esta análise pode aplicar-se à generalidade das notícias sobre o estudo em questão, que foram publicadas nos diversos órgãos de comunicação social e não somente à notícia publicada na Revista Visão que aqui se apresenta a título de exemplo: <a title="notícia Visão" href="http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2019-09-05-Vegetarianos-podem-ter-menos-doencas-cardiacas-mas-maior-risco-de-AVC" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2019-09-05-Vegetarianos-podem-ter-menos-doencas-cardiacas-mas-maior-risco-de-AVC</a></p>



<h2 class="wp-block-heading">1. Factos em análise?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo recente, publicado na prestigiada revista <a title="British Medical Journal" href="https://www.bmj.com/content/366/bmj.l4897" target="_blank" rel="noopener noreferrer">British Medical Journal (Tong et al., BMJ 2019;366:l4897)</a>, revela que os indivíduos que seguem o padrão alimentar vegetariano ou vegan apresentam risco mais baixo de ter um enfarte do miocárdio, mas um risco aumentado de ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão que se coloca é se o estudo permite efetivamente tirar essa conclusão, tal como foi publicada em diferentes órgãos de comunicação social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="font-size: 1.75em; font-weight: bold; color: var(--text-color); letter-spacing: -0.0125em;">2. Análise do(s) facto(s) tendo por base a evidência científica</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Assistimos hoje a um fenómeno nas sociedades ocidentais em que um número crescente de indivíduos vai alterando o seu modelo alimentar tradicional por um tipo de alimentação progressivamente mais isento de produtos de origem animal. Esses indivíduos, cuja alimentação se designa por vegetariana ou vegan, consoante o grau de evicção dos produtos de origem animal, procuram com esta alteração, entre outras coisas, ter uma alimentação mais saudável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora não seja esta a única razão para esta alteração dos hábitos alimentares, a comunidade científica tem procurado responder a esta questão, isto é, se e até que ponto é mais saudável este tipo de alimentação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <a title="artigo em causa" href="https://www.bmj.com/content/366/bmj.l4897" target="_blank" rel="noopener noreferrer">artigo em causa</a>, publicado no início do mês de setembro, procura responder a estas dúvidas, recorrendo a uma coorte de cerca de 48 000 &nbsp;indivíduos residentes no Reino Unido e que fazem parte de um estudo mais extenso, o estudo EPIC (<em>European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition</em>), que inclui o impressionante número de mais de meio milhão de indivíduos de dez países europeus, seguidos por mais de quinze anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se, pois, de um número muito significativo de indivíduos, que por si só permite desde já uma robustez das conclusões que dificilmente se obteria com amostras menores e com menor tempo de seguimento, como é mais frequente em estudos deste género.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As conclusões do estudo são claras e apontam para um menor risco de doença coronária nos indivíduos que seguiam dietas vegetarianas/vegan face aos indivíduos que consumiam carne, diferença esta que se manteve significativa (embora marginalmente) quando os resultados foram ajustados para variáveis confundidoras, como a pressão arterial, o índice de massa corporal (IMC), o colesterol plasmático ou a presença de diabetes (variáveis autorreportadas). Esta redução, de cerca de 20%, é consistente com estudos anteriores onde se demonstra o papel do colesterol LDL (ou não-HDL) no risco de enfarte do miocárdio, sendo que no presente trabalho se voltou a observar que os indivíduos que incluem carne no seu padrão alimentar apresentam valores de colesterol LDL mais elevados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, foi também observado um aumento significativo de risco de AVC (de magnitude próxima também dos 20%) nos indivíduos com um padrão alimentar vegetariano/vegan. Este aumento foi observado sobretudo para o AVC hemorrágico, sendo o aumento de risco de AVC isquémico de menor magnitude e sem significado estatístico. Estes resultados sobre o AVC foram mais surpreendentes e menos consonantes com a literatura.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Assim sendo, o título da notícia parece factualmente correto e pouco sujeito a crítica. Importa, no entanto, perceber até que ponto podemos afirmar estes efeitos destas dietas recorrendo a um estudo deste tipo. </strong>Na realidade, um estudo de coorte, como este, não representa o grau de evidência mais elevado de que dispomos e do qual necessitamos para inferir consistentemente acerca de relações de causa-efeito entre fenómenos (podemos encontrar um bom texto sobre a hierarquia da evidência científica <a title="texto sobre a hierarquia da evidência científica" href="https://ebm.bmj.com/content/21/4/125" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui</a>). Neste caso, para podermos ter um bom grau de certeza de que os padrões alimentares vegetarianos reduzem a doença coronária ou aumentam o número de AVCs, teríamos de recorrer a ensaios clínicos aleatorizados e com dupla ocultação, o que, pelo menos neste caso, seriam quase impossíveis de realizar. Este é ao mesmo tempo o <a title="problema e o fascínio que as Ciências da Nutrição encerram" href="https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/2748478" target="_blank" rel="noopener noreferrer">problema e o fascínio que as Ciências da Nutrição encerram</a>, pois embora os estudos de natureza epidemiológica frequentemente nos apontem para determinadas respostas, carecemos quase sempre da prova definitiva por ensaio clínico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O “sumo” que o engenho de tantos cientistas tem retirado dos estudos transversais ou de coorte tem sido fundamental para entender as muito complexas relações entre alimentação e saúde, mas tal não deve entusiasmar-nos em demasia nas conclusões que deles tiramos. Acrescenta-se que especial cuidado terá que ser tido na comunicação feita por meios generalistas e dirigidos ao grande público, cuja capacidade de interpretar estas “nuances” é certamente menor.</p>



<h2 class="wp-block-heading">3. Veredicto final do “Pensar Nutrição”</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em conclusão, embora a notícia em causa seja fiel às conclusões do estudo, o grau de certeza (ou ausência de incerteza) com que os resultados são anunciados não é compatível com as limitações intrínsecas deste nem com o facto óbvio de se tratar de um estudo apenas. Considera-se, pois, que a notícia é <span style="color: #dec507;"><strong>“Imprecisa”</strong></span>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" width="200" height="200" src="https://pensarnutricao.pt/wp-content/uploads/2019/09/StampAmarelo_200x200.gif" alt="Fact-checking – “Vegetarianos podem ter menos doenças cardíacas, mas maior risco de AVC” 2" class="wp-image-380" title="Fact-checking – “Vegetarianos podem ter menos doenças cardíacas, mas maior risco de AVC” 2"></figure>
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<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;</p>
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